21.12.09

A arte de suportar

O.k, estou me acostumando com essas suas esquisitices. Não pelo fato de você misturar café com coca nem catchup com cerejas em calda, mas por você fazer necessidades fisiológicas sem fechar a porta. Até me acostumei com o barulho do peido, ah somos íntimos você vai dizer, né? Mas não gosto de ver você cagando e resolvendo palavras cruzadas com as pernas abertas, o.k baby? Mas gosto do seu sexo gostoso e molhado. E suas preliminares são surreais, abre parêntesis as melhores fecha parêntesis. Você não faz eu encontrar somente o ponto gê, mas o alfabeto inteiro, formando frases, palavras e sussurros infinitos nos nossos corpos quebra-cabeça com mil peças. Encaixe perfeito, côncavo e convexo. E você diz que eu é que sou esquisita.

16.12.09

você é o que você quer ver

Uma mania: catalogar olhares. Como uma cega, Íris deixava a luz atravessar a córnea e chegar à retina como um filme fotográfico, e assim, tinha uma visão global das pessoas que se aproximavam. Bastava um apertar de pálpebras e tudo se apresentava: azul, verde, castanho, preto, mel. Azul-piscina, verde-mar, castanho-terra, preto-breu, mel de abelha. Azulejos, oceânico, raiz, escuridão, doçura. Gaivota, estrela-do-mar, minhoca, mosquito, colméia.

9.12.09

Um amor que morreu na praia

Domingo. Sunga cheia de peixinhos coloridos. Balde e pá de plástico coloridos. Sorrisos coloridos. Era assim a infância aos domingos: colorida. E se você acha louco isso de dar cor a um sorriso, e ainda mais, dar várias cores a um sorriso, você que é louco, caro leitor. E não vou explicar como é um sorriso com cor, preto e branco ou colorido, por favor. Imagine apenas e pronto. Domingo. Corpos meninos, canelas, cabelo de macarrão, água salgada, beijos doces. Corpos Cais, nenhuma bússola. Estrelas-do-mar, picolé de morango, cocada com leite condensado, castelo de areia, ondas do mar. Domingo. Esperar chegar o domingo. Areinhas. Segredos pérolas, amores tubarão. Os domingos não existem mais. Segunda. Terça. Quarta. Quinta. Sexta. Sábado. Pula a onda, marinheiro só.

5.12.09

impressão

hoje postei aqui: http://blogdas30pessoas.blogspot.com/2009/12/impressao.html

Todod dia 05 escrevo no blog das 30 pessoas.

3.12.09

Amor hortifruti

Ele com a pêra na mão, ela com as maçãs do rosto bem rosadas.

2.12.09

artefatos

Olha, junto aos cedês, devedês e cartões de Natal, Dia dos namorados e Aniversários de namoro vai o Neruda que você me deu de aniversário. Talvez estes artefatos sejam mais importantes para você que é arqueólogo. Dei Shift + Delete em todas as fotos, queimei as blusas, as roupas de baixo, dos livros as dedicatórias. Derramei os perfumes no caminho do trabalho e derramei também umas lágrimas. Não se preocupe, estou bem. Espero que você também esteja bem, baby. É que talvez estes artefatos sejam mais importantes para você que é arqueólogo. Feliz Natal.

1.12.09

1º de dezembro - Dia mundial de luta contra a aids.

29.11.09

rapidinhas

Solidão é ter um sol irradiando por dentro e não sair de casa.

amor glub glub

Não reclamo porque no fundo ele me ama. No fundo ele me ama, bem no fundo, lá no fundo. Eu, peixe, acredito no amor com todas as bolinhas no fundo do mar. No fundo ele me ama, bem lá no fundo, onde não tenho mais forças para alcançar a superfície e respirar. No fundo ele me ama. No fundo, bem no fundo.

27.11.09

vírgula ponto nunca final

Vontades, tantas.
Quereres, muitos.
Desejos, vários.
Buscas, demais.

26.11.09

estatística

Hoje eu quero falar de amor – disse o professor careca de estatística – das emoções mais fortes, aquelas que nos sacodem, que nos empurram pra longe, como quando ficamos na lua. Hoje os estudos de demanda e oferta são do coração, mercados dos afetos. O método de avaliação não será por meio de provas. Eu seria um estúpido se fosse assim. Afinal, amor não combina com provação. Ninguém tem que provar nada para o outro. Ou tem? Provar é estabelecer uma verdade por verificação ou demonstração e eu disse que hoje eu não ia falar de coleta, análise e interpretação de dados. O amor não se caucula. O amor é inexato. O amor existe?

23.11.09

no jardim do hospital

Que horas são por favor? não funciona, nem tão pouco você vem sempre aqui? Essa de está calor aqui não? Também não pega. Mulher gosta de ser surpreendida. Nada de arrodeios na hora de paquerar. Sente ao lado dela ou se aproxime e já pergunte sua verdura predileta. Se ela responder cenoura, por exemplo, responda com uma fruta redonda. E em seguida, elogie a boca com aparelhos e nada de falar dos olhos, que os olhos são espelhos da alma... muito subjetivo e não pega. Ouse, fale da tatuagem que ela tem no pé, que o ramalhete de flor pintado combina com aquele jardim. A partir daí ela já vai se desarmando e você pode tocar nos seus cabelos.

- você tem namorado?
- sim, ele acabou de ligar.
- mas a voz era de mulher.
- e você conseguiu ouvir?
- sim, você não tem namorado.
- tenho.
- você deveria namorar comigo.
- como assim?
- eu irei te fazer feliz, na minha casa tem devedê e tudo mais, a gente vai se divertir, eu coloco uns filmes de romance.
- eu gosto de drama.
- você ia gostar dos romances.
- mas eu tenho namorado.
- você não tem.
- tenho. Ele vem me buscar de moto.
- você é rica.
- por quê?
- porque você mora em Boa Viagem.
- qual sua verdura predileta?
- cenoura e a sua?
- melão.
- sua boca é bonita, pequena, bem branquinha.
- obrigada.
- o que você acha bonito em mim?
- os olhos.
- só?
- tudo, né?
- a gente ia pra praia e eu ia pagar tudo.
- hum.
- você vem sempre aqui no hospital?
- eu trabalho aqui. Sou enfermeira.
- ah, sou paciente. Tenho problemas mentais e físicos. Fiquei feliz por você ter achado meus olhos bonitos, ninguém nunca falou, ao contrário, têm medo de mim.

Ela mentiu pra deixar o feio feliz. Afinal, ele tinha problemas mentais e físicos e ela era uma menina boa. Ele deu o telefone e disse para ela ligar. Ela ligou e deu na caixa postal.

20.11.09

20 de junho - Dia da consciência negra.

Al Jolson
Michael Jackson
>>Hoje não vale fazer piadinha de humor negro hein, crianças? Tenham consciência...

19.11.09

vernissage

Foi no silêncio do Museu de Arte Moderna, contemplando as telas abstratas. Ele parecia tão real, mesmo tendo o rosto em tons pastel e a pele sobre óleo. Aquele andar me impressionava como os quadros de Monet, ele deslizava pelo hall como pincel, um girassol de Van Gogh inclinado para o céu. Rosto quadrado qual tela de Picasso, aonde ele ia deixava sua cor, sua textura, sua aura. Eu sentia. Eu namorava aquele quadro itinerante. Eu queria admirá-lo não só com os olhos, mas senti-lo com toda minha pele em alto-relevo.

17.11.09

Com saudades, Lili.

Saudades. Dos bilhetes na porta da geladeira. Eu acordava horrorosa com os cabelos de pé e em dez segundos eu me sentia a mulher mais bonita do universo. E tenho certeza que Megan Fox teria inveja de mim. Saudades. De jantar com você no restaurante mais caro da cidade e não perder a simplicidade e a espontaneidade ou dividir um hot dog na rua e ser como um jantar romântico à luz de velas. Saudades. Das viagens que fizemos juntos, as mais longas, para o outro lado do mundo ou simplesmente atravessar a esquina de mãos dadas para comprar pão. Ela escreveu a carta e guardou na gaveta da penteadeira e nunca enviou.